terça-feira, fevereiro 27, 2007

Legado de Sophia

E, então, chega o momento em que o homem acostumado aos argumentos da filosofia, ao sustento da percepção meticulosa e a agudeza da ciência, passa a sofrer pela brevidade de sua existência. Primeiro, porque foi à custa de tempo que ele acumulou seu patrimônio intelectual, e este, ainda que grande riqueza lhe pareça, é sempre ínfimo se comparado às fontes de onde jorram o saber do mundo; Segundo, e talvez mais importante, porque ao tomar para si o conhecimento como patrimônio, a idéia de perdê-lo e tornar vão seus esforços lhe é penosa.
Ao contrário de outros espólios, este não pode ser deixado em testamento para aqueles que - conforme seu julgamento - o merecem. Nem mesmo os que não lhe fazem jus, hão de se apropriar de sua 'fortuna' apenas por desejá-la.
Essa consciência, por seu caráter aflitivo, o pressiona à conhecer os benefícios que a efetividade modesta adiciona a humanidade: cadenciar a evolução de idéias lentamente - geração à geração - de um modo mais uniforme, gerado pela média saudável entre os extremos e a necessidade temporal de se absorver o novo.
Dessa forma, o extingüir de sua chama o leva a querer salvar suas concepções e compilações - como um bem a ser deixado de herança. Assim nasceram os filósofos, os artistas e os cientistas: não de sua genialidade propriamente dita, mas de sua atitude de transmitir seus erários cognoscentes.
Nesse sentido, seria falta grave de raciocínio acreditarmos que não houve no desenvolvimento da humanidade, capacidade de evolução social superior à que conhecemos. E chegando nessa conclusão, podemos claramente ver que a prática da individualidade merece pouco crédito.
Para aqueles que costumam se preocupar com os lixos que se acumulam nas prateleiras, convém lembrar que a mediocridade é tão efêmera quanto sua habilidade de produzir autênticos resultados favoráveis. E se chegar a produzir algum, mesmo que por meio de conceitos desviados, ainda assim estará apontando um caminho oportuno. As ciências estão repletas de exemplos.

Com isso, abandono o laconismo espartano, no qual iniciei o ano deste blog, com estas questões:
Será a eternidade a capacidade de multiplicação que, um ato de dividir, gera?
E essa divisão, seria a substância que preencheria o vazio por nós sentido?

Nem matemática, nem metafísica. No meu acervo cultural encontrei duas sentenças para essas dúvidas, respectivamente:

O pensador ou artista que guardou o melhor de si em suas obras sente uma alegria quase maldosa, ao olhar seu corpo e seu espírito sendo alquebrados e destruídos pelo tempo, como se de um canto observasse um ladrão a arrombar seu cofre, sabendo que ele está vazio e que os tesouros estão salvos.
(Nietzsche)

I believe if there's any kind of God it wouldn't be in any of us, not you or me but just this little space in between. If there's any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone sharing something. I know, it's almost impossible to succeed. But, who cares really? The answer must be in the attempt.
(Before Sunrise Movie Quote)

5 comentários:

Jorge disse...

ou seja, individualismo romantico falido, resta a angústia fruto de sermos medievais, achando-nos modernos porque sabemos. Sabemos?

lisevaldt disse...

sabemos, dentro do que está divulgado, o que soubemos procurar; o que descobrimos e o que ainda não encontramos, ao futuro cabe arbitrar.
ih, rimou! não podia né? agora já foi...

Jorge disse...

Tudo bem, é diálogo, hahaha!

Jorge disse...

Bonito o lay-out, queria saber como é que faz.

Jorge disse...

atualiza aí! Ainda quero as dicas sobre o lay-out