quarta-feira, novembro 19, 2008

Post das perguntas...



Qual é então esta ligação entre nós,
esta coisa indefinível?

Para onde vão estes destinos que se amarram,
para nos tornar inseparaveis?

A vida é uma dança
Todos temos que dançar

Conforme a música exige.

As pessoas se movem juntas,
próximas como as chamas no fogo.

Sinta a batida, a melodia e a rima.
Enquanto há tempo.

Vamos todos dar voltas.
Pares de "perdidos e achados"
Procurando por mais uma chance.

Tudo que sei é...

Estamos todos na dança.

O quê então que nos separa?
Quem por azar nos reúne?

Para quê tantas idas e vindas,
neste caminho infinito?

Avançamos, na linha do tempo.
À vontade do vento.

Assim...

Vivemos todos os dias,
nossos desejos, nossos amores.

Partimos sem saber que
estamos sempre
na mesma história.

domingo, novembro 09, 2008

cookie wise

Não é que eu não seja patriota. Ou regionalista. À mim já não importa onde firmo meus pés e sim meu coração.

Não se pode dizer, tampouco, que perdi minhas raízes culturais. Minha mente sempre esteve no mundo inteiro.

Me acusar de revolucionária porque tive uma adolescência engajada e rebelde seria exagero. Cultivei minha covardia reacionária como todo bom cidadão democrata.

Supor que eu não saiba separar a arte da existência é falta de imaginação. Pois interior e exterior não são polarizados em minha alma.

E que a verdade seja dita: se me tivessem ensinado à pintar, ou tocar piano, não estaria escrevendo.

Não pense que desprezo o modo como superestima-se a sexualidade. É apenas uma questão de preferência o que me leva à querer maximizar o amor.

E se parece que não valorizo o compromisso, é porque estimo a intenção mais do que o comprometimento.

Descobri, na liberdade de partir, o permanecer justificado.

Na liberdade de agir, o ser autêntico .

that's the way it crumbles...

segunda-feira, outubro 06, 2008

Perfil

Gaúcha não praticante com residência fixa em Brasília há três anos, duas semanas, dois dias e tentando parar de contar.

Aproximando-se rapidamente da idade balzaquiana, seja lá o que isso queira dizer.

Tem por principal hábito a leitura inútil e excessiva de revistas, livros, blogs, legendas cinematográficas e entrelinhas humanas.

Sua principal orientação filosófica sempre foi o niilismo. Atualmente, porém, tem sido muito comum vê-la sofrendo crises de existencialismo extracontemporâneo.

As características mais evidentes no conjunto de sua irrelevante “obra”, são:

  • traços de uma visão biocentrista tímida;
  • críticas sarcásticas ao humanismo literário de fachada;
  • teorias anárquicas mal-dissimuladas;
  • vestígios fonográficos enigmáticos;
  • eu-lírico auto-censurado;
  • forma inapropriada;
  • conteúdo andrógino;
  • estilo forjado;
  • ironias desastradas; e
  • desambição fingida.

Na personalidade pode-se encontrar os mesmos aspectos supracitados - em ordem levemente diferente - e mais um punhado de particularidades que convém não citar para manter a tolerância textual.

Acredita que é escritora por natureza, mas programa sistemas computacionais por profissão.

Não é tão bonita quanto finge ser. Nem tão bem resolvida como parece.

Usa vermelho ou verde quando se sente bem. Quando escreve, bebe Earl Grey Tea ou Água Tônica.

Neste exato momento, está ouvindo a canção Loser do músico Beck enquanto tenta decidir entre atualizar seu blog ou estudar cálculo proposicional, durante o seu horário de almoço.

domingo, setembro 07, 2008

ghost-writer

O título não é uma referência àquele que, tal o fictício Brás Cubas, descreve suas memórias póstumas.

É, generalizando, qualquer um que queira ceder seus escritos para uma autoria alheia mediante acerto prévio. Esse tipo de acordo normalmente envolve anônimos dotados de algum talento e notórios sem inspiração ou tempo, mas há outros casos.

Escritor-fantasma, nesse caso, sou eu à negociar minha paternidade literária com um padrasto célebre.

Tem quem faça disso uma profissão e, antes que me julguem pelo confessado, assinalo que não será o meu caso.

Só consigo explicar como aceitei tais encomendas por uma necessidade incontrolável e não ponderada de aceitação pública. Basicamente, me iludi com a idéia de que a amplitude de tal trabalho serviria para confirmar se possuo ou não aptidões para uma generosa audiência.

Querem saber o que consegui? Até agora, desperdício de tempo.

Não é a falta de aplauso. Não é a discreta remuneração. Nem as críticas. O que me frauda a possibilidade de encontrar algum prazer nessa atividade confidencial é que, simplesmente, o espectro nas entrelinhas não é eu.

No lugar de um antígrafo daquilo que naturalmente rompe meu pensamento, nos textos que produzi só há desvios morais em cima de estruturas democráticas.

A consciência social não passa de uma escrava que mais obedece aos outros que à nós mesmos. Sempre me podou a espontaneidade no convívio interpessoal e, agora, intimida também a prática da exteriorização artística.

Sinto-me subjugada. Inibida pelas opiniões consensuais. Pela gramática. Pela falta de expressão individual.

Isso é o suficiente para me abater e acabou me prejudicando nas outras formas de expressão.

Para resumir, não fui capaz de tecer uma única linha satisfatória nos dois últimos meses. O pobre do indigitável ficou sem postagens. Meus correspondentes não receberam e-mails. Meus ensaios ficaram suspensos.

Portanto, isto aqui é uma tentativa de reação. Antes que a apatia aos verbetes me silencie de vez, comunico que irei exonerar-me do lugar-comum da vida público-secreta que estou levando. E espero regressar, sem maiores traumas, à orbe dos textualistas incompreendidos e sem alcance na qual me sinto à vontade.

E, já que aqui posso atribuir uma identidade honesta ao que é proferido, escolherei o sujeito/predicado que melhor concorda com meu eu-artístico momentâneo para finalizar essa decisão:

Sem mais à dizer, empty-writer.

quinta-feira, julho 24, 2008

Identidade

Não raro, ocorre-me um desses sopros de memória em que um evento, outrora parcamente abstraído, apresenta-se surpreendentemente como peça central de um quebra-cabeças que há muito aguarda desfecho.

Ontem mesmo o ressurgir casual de uma frase, aparentemente simplória, desencadeou uma série de ligações que deveriam estar evidentes, mas que, até então, se figuravam independentes para meu processo investigativo sobre a construção da identidade individual.

Em verdade, da frase, só o reluzir deste fragmento lido em uma revista foi que me incendiou o pensamento:

“Tenho lembranças e não saudades”

O supracitado é assisada declaração de Mário Lago às vésperas de completar 90 anos. Pouco menos de meio ano teve ele de vida após tê-la pronunciado, mas a palavra ainda respirava em meu pensamento e, creio, ainda produzirá reações quando eu já estiver me juntado ao seu artífice na poeira do mundo.

De início, devo ter apenas julgado um sentido de aderência ao presente contido na sentença. E talvez assim o tenha sido. Mas posso assegurar que nada é o que é, apenas. O explícito é somente a face superficial dos sentimentos e ideais que o moldaram.

A idéia de um presente que regozija o passado sem apegos, a ponto de não desejá-lo ao alcance de uma reforma ou sonhar revivê-lo, pressupõe uma autoconfiança capaz de tomar decisões comprometidas com o futuro. E um reconhecer honesto das intencionalidades dentro das próprias atitudes.

Não foi o semblante envelhecido, que o recapitular da memória me trouxe do autor, que me fez desconfiar de significados mais íntimos no seu discurso. Foi a temperança e a poesia implícitas em sua figura e em seu trabalho ao longo dos anos. Presente desde suas primeiras composições.

O autoconhecimento é que concede uma identidade coesa. É isso que nos faz desfrutar com confiança o momento de proveito. E ultrapassar com tranquilidade as horas indistintas da vida.

É evidente que, com o suceder dos anos, todos somos obrigados a encarar a prática da autoconsciência. Só que a postura de esperar que isso aconteça de forma inconsciente, não seria assumir um comportamento irresponsável por si mesmo?

Um hoje sem saudades me faz pensar num hoje pacificado com a conformidade do ser. Conhecer e compor o caos interno é o que salva a alma do abismo fatalista que parece circundar a existência humana.




   Você já se analisou hoje?