“Assim, sentindo seu ânimo manifestar a intenção de sentimentos tão fortes quanto constantes, sabia que seria necessário evitar qualquer tipo de manobra ou dissimulação. Mas os tormentos físicos que acompanhavam a certeza de seu objeto de afeição, o impediam inexplicavelmente de comportar-se com propósito ou falar diretamente. E todos os minutos que passava ao lado de Lídia eram ofuscados por uma mistura de suspense e constrangimento, que nada tinham em comum com a expectativa de prazer que os precediam.”
sexta-feira, janeiro 02, 2009
quinta-feira, dezembro 04, 2008
DEZEMBRO

NOTAS
DIA 4: A escala de entropia do meu quarto está alta¹, não encontro minhas coisas! Ainda hoje, quero iniciar a leitura de Emma, de Jane Austen. Estou anciosa, tem mais de 1 mês que comprei esse livro! Mas antes, preciso encontrá-lo no meio da bagunça... ;\
DIA 5: Percebi ontem, lendo Jane Austen, que existem diversos tipos de solidão: de sentimentos, de afeição, de amor, de companhias barulhentas, física, familiar. De tudo há solidão. Concluí facilmente que sofro de solidão intelectual.
DIA 6: Bom senso é uma condição insustentável. Não se pode confiar no dos outros. E nem no próprio.
DIA 7: Somos substância obstinada por cristalização: nos apegamos mais à um punhadinho de certezas que ao universo de possibilidades.
DIA 8: Encontrei um ponto comum em todas as pessoas que amo: elas não levam as adversidades tão à sério.
DIA 9: A impaciência não chega a ser uma qualidade favorável, mas é uma bela arma contra a apatia.
DIA 10: Segundo a imprensa da época, a última frase de Olavo Bilac, pouco antes de morrer, foi "Dêem-me Café! Quero Escrever!". Se eu tivesse adoecido e morrido esse ano, provavelmente teria isso em comum com o príncipe dos poetas.
DIA 11: Hoje, não me questione a razão, decici citar à mim mesma. Com toda redundância que esta frase implica. Eis aí um recorte do romance que escrevo:
"Não tenho destino, já nasci acaso. O futuro, no entanto, é sedutor: conquista o pensamento com conjeturas. Carrega nas pré-ocupações as horas destinadas à suavidade do dia. Preciso evitá-lo constantemente!
Talvez fosse bom me sujeitar ao entusiamo de uma paixão. Experimentar aquela sensação na qual agora importa mais que qualquer outra hora."
DIA 12: Essa serenidade exterior que manifesto, deve-se à agradável genética da família Emerich. Os Evaldt em nada são estáveis ou tranqüilos.
DIA 13: Logo que acordei, com o rosto ainda voltado para a parede, eu já sabia como seria o meu dia: completamente moldável!
DIA 14: O nome de uma pessoa possui todos os significados que atribuímos à ela. O simples fato de alguém o pronunciá-lo desperta em nós todo sentimento que lhe dedicamos.
DIA 15: Trata-se de uma infelicidade que as reservas indispensáveis à um espírito extremamente delicado confundam-se tão facilmente com indiferença.
DIA 16: Estou convencida de que qualquer pessoa revelará mais sobre ela própria ao falar de outras do que de si mesma. A tolerância e a consideração com as quais nos autodefinimos não é repartida com quase ninguém. E, por isso mesmo, é mais similar ao nosso caráter a forma como julgamos os outros. Já que, também, os julgamos por critérios nossos.
DIA 17: Dentre as coisas que desejo realizar no próximo ano, uma delas é encontrar o tal 'benefício da dúvida'.
DIA 18: Estou inteiramente envolvida pela Srta. Austen. Iniciei a leitura de Orgulho e Preconceito, cujo enredo foi escrito antes da autora completar 21 anos. E mal posso descrever o quanto me sinto surpresa e deslumbrada ao ter tal romance em mãos.
DIA 19: Sim, fazer apostas é uma maneira quase certa de arranjar frustrações. Porém, para aqueles cuja sensatez se pratica até mesmo no saber perder, ter bravura de coração para apostar apenas no que desejam intimamente obter já é uma grande recompensa por si só.
DIA 20: Não sei o nome da senhora que me atende no Sebinho², mas ela sabe o meu. Isso porquê, apesar de minhas visitas não durarem mais que o tempo de ela me entregar um volume e eu pagar no caixa, sempre deixo lá uma lista de encomendas que, pelo que entendi, dá à ela algum trabalho para conseguir. Hoje trouxe Razão e Sensibilidade, e deixei ela com a difícil tarefa de encontrar Mansfield Park, Abadia de Northanger e Persuasão. Sim! Todos de lady Austen.
DIA 21: As flores da serra só aparecem no verão.
DIA 22: Descobri que as melhores férias são aquelas em que se dorme pouco.
DIA 23: Conversa casual é o que eu chamo de "reafirmar as aparências". Felizmente, uma conversa deixa de ser casual em, no máximo, trinta minutos.
DIA 24: Não sei explicar, mas sinto como se tivesse passado a vida tentando inutilmente domar meu caráter. Tenho que aprender a desistir!
DIA 25: Exigir é o oposto de conquistar.
DIA 26: O que faço inconscientemente é o que mais me interessa.
DIA 27: A primeira música que ouvi do Bob Dylan foi Like a Rolling Stone e não me identifiquei nem um pouco com ela. Mas já fazem muitos anos desde então. Hoje, contudo, escolhi ela de trilha sonora: I'm feel just like a rolling stone.
DIA 28: Há quem suspeite de um significado de precisão nos célebres versos de Alberto Caeiro³. Mas eu nunca tive dúvidas, sou partidária do emprego verbal, designado pelo general Pompeu, e mencionado pelo poeta: "viver não é preciso". Para o homem que se destina com paixão à sua arte, viver é ato secundário.
DIA 29: Mas eu não desejo ser mais apaixonada pela arte que pela existência: preciso das duas em igual medida!
DIA 30: Há dois tipos de gente entediante no mundo: os outros e eu!
DIA 31: A grande vantagem no uso dos calendários é que eles constantemente nos lembram que a vida não precisa necesariamente continuar. Ela pode, numa determinada data ou circunstância, recomeçar!
UM FELIZ 2009 À TODOS QUE ACOMPANHAM O BLOG!
¹ teoria do caos
² o maior e melhor sebo de Brasília
³ gosto dessa identidade e por nada nesse mundo a confundiria com Fernando Pessoa.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Post das perguntas...
Qual é então esta ligação entre nós,
esta coisa indefinível?
Para onde vão estes destinos que se amarram,
para nos tornar inseparaveis?
A vida é uma dança
Todos temos que dançar
Conforme a música exige.
As pessoas se movem juntas,
próximas como as chamas no fogo.
Sinta a batida, a melodia e a rima.
Enquanto há tempo.
Vamos todos dar voltas.
Pares de "perdidos e achados"
Procurando por mais uma chance.
Tudo que sei é...
Estamos todos na dança.
O quê então que nos separa?
Quem por azar nos reúne?
Para quê tantas idas e vindas,
neste caminho infinito?
Avançamos, na linha do tempo.
À vontade do vento.
Assim...
Vivemos todos os dias,
nossos desejos, nossos amores.
Partimos sem saber que
estamos sempre
na mesma história.
domingo, novembro 09, 2008
cookie wise
Não se pode dizer, tampouco, que perdi minhas raízes culturais. Minha mente sempre esteve no mundo inteiro.
Me acusar de revolucionária porque tive uma adolescência engajada e rebelde seria exagero. Cultivei minha covardia reacionária como todo bom cidadão democrata.
Supor que eu não saiba separar a arte da existência é falta de imaginação. Pois interior e exterior não são polarizados em minha alma.
E que a verdade seja dita: se me tivessem ensinado à pintar, ou tocar piano, não estaria escrevendo.
Não pense que desprezo o modo como superestima-se a sexualidade. É apenas uma questão de preferência o que me leva à querer maximizar o amor.
E se parece que não valorizo o compromisso, é porque estimo a intenção mais do que o comprometimento.
Descobri, na liberdade de partir, o permanecer justificado.
Na liberdade de agir, o ser autêntico .
that's the way it crumbles...
segunda-feira, outubro 06, 2008
Perfil
Gaúcha não praticante com residência fixa em Brasília há três anos, duas semanas, dois dias e tentando parar de contar.
Aproximando-se rapidamente da idade balzaquiana, seja lá o que isso queira dizer.
Tem por principal hábito a leitura inútil e excessiva de revistas, livros, blogs, legendas cinematográficas e entrelinhas humanas.
Sua principal orientação filosófica sempre foi o niilismo. Atualmente, porém, tem sido muito comum vê-la sofrendo crises de existencialismo extracontemporâneo.
As características mais evidentes no conjunto de sua irrelevante “obra”, são:
- traços de uma visão biocentrista tímida;
- críticas sarcásticas ao humanismo literário de fachada;
- teorias anárquicas mal-dissimuladas;
- vestígios fonográficos enigmáticos;
- eu-lírico auto-censurado;
- forma inapropriada;
- conteúdo andrógino;
- estilo forjado;
- ironias desastradas; e
- desambição fingida.
Na personalidade pode-se encontrar os mesmos aspectos supracitados - em ordem levemente diferente - e mais um punhado de particularidades que convém não citar para manter a tolerância textual.
Acredita que é escritora por natureza, mas programa sistemas computacionais por profissão.
Não é tão bonita quanto finge ser. Nem tão bem resolvida como parece.
Usa vermelho ou verde quando se sente bem. Quando escreve, bebe Earl Grey Tea ou Água Tônica.
Neste exato momento, está ouvindo a canção Loser do músico Beck enquanto tenta decidir entre atualizar seu blog ou estudar cálculo proposicional, durante o seu horário de almoço.